Não só Covid foi problema em 2020

Uma das grandes dificuldades de 2020 foi a estiagem.

Aqui em Chapadão do Sul, produtiva região agrícola, costuma chover anualmente em torno de 2.000 milímetros.

No ano passado houve redução de quase 30% da média dos últimos quatro anos. Choveu 1.453 milímetros, o que representa 27% a menos que os anos de 2016 a 2019.

Essa situação se agrava quando se observa a pluviometria mensal de 2020. Somente no mês de fevereiro caíram 582 milímetros, sobrando uma média de 79 mm para os demais meses. Entre abril e setembro choveu somente 105 mm (média de 17,5 mm ao mês) e nos meses de junho a agosto praticamente não choveu, apenas 5 mm.

Pior que a seca de 2010 e 2011 foi o atraso nas chuvas que prejudicou o plantio de verão. Fora o chuvoso mês de fevereiro (582 mm) acumulado acima de 200 mm foi ocorrer somente em dezembro: 215 mm.

Com esses dados é fácil perceber porque houve recorde de queimadas no Pantanal e na Amazônia. Somente os ecoloucos não enxergam ser a estiagem o implacável vetor das queimadas, coisa que governos e proprietários não conseguem evitar.

Na atividade agropastoril as pastagens foram as mais prejudicadas. Em algumas regiões do Centro-Oeste o pasto sumiu com o pisoteio do gado faminto. Também despareceu o boi e a vaca gorda para abate, já que os confinamentos a essa altura desovaram os seus estoques e não há forragem para o rebanho a campo. Em muitas propriedades as pastagens terão que ser gradeadas e replantadas.

Para os próximos 6 meses a previsão também não é nada boa.

Com exceção de maio que tem chuva prevista um pouquinho acima da média, em torno de 69 milímetros, todos os meses a partir de janeiro de 2021 estão abaixo da climatologia. Na média deve chover menos de 60 milímetros todo mês.

Previsão é previsão e tomara que nada disso ocorra como já aconteceu em outros anos. Lembram-se da seca de 2013 que secou o sistema Cantareira e deixou a cidade de São Paulo quase sem água? Na ocasião diziam os entendidos que seriam necessários 4 a 5 anos para o sistema se recuperar. Nada disso aconteceu. Veio um verão chuvoso em 2014 e tudo se normalizou em um ano.

Vamos torceu para que 2021 tenha abundância de chuva e que a água leve consigo também o vírus da Covid 19 para alívio de todos nós.

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